Sábado, 5 de Julho de 2008

Uma fé que irradia, comove, impressiona

Ingrid Bettancourt…há 6 anos que este nome começou a soar familiar aos nossos ouvidos, quando foi noticiado o rapto desta franco-colombiana por guerrilheiros das FARC, na Colômbia, em 2002.
Hoje, Ingrid está livre e o seu testemunho é esse: ao longo do seu cativeiro, foi a fé que a conduziu.
É essa mesma fé que a faz dizer aos jornalistas e ao mundo inteiro “graças a Deus” pela sua libertação.
Outro facto que marca…logo à descida do avião que a tinha arrancada das mãos dos seus algozes, Ingrid ajoelhou-se com a sua mãe ao lado e alguns reféns. Fizeram o sinal da cruz, recitaram 3 avé-marias e uma glória. Um padre estava lá, vestido de alva e de estola, e os abençoou.
“Quero primeiro dar graças a Deus e aos soldados da Colômbia” dizia ela, alguns minutos antes, agradecendo também a oração de todos aqueles que se lembraram dela ao longo dos anos, “é um milagre”. A fé foi sem dúvida o que permitiu à Ingrid sobreviver a 6 anos e 4 meses de cativeiro.


Numa carta tornada pública no último mês de Dezembro, ela confidenciava que a Bíblia era o seu “único luxo”; que “cada dia, comunico com Deus, Jesus, a Virgem (…). Aqui, tudo tem duas faces, a alegria vem, e depois a dor. A alegria é triste. O amor pacifica e abre novas feridas…é viver e morrer de novo.”
O seu testemunho continua assim: “Durante anos, pensava que enquanto estivesse viva, enquanto continuaria a respirar, deveria continuar a ter esperança. Já não tenho as mesmas forças, é-me difícil continuar a acreditar.” Mas desejava: “que Deus nos venha em auxílio, nos guie, nos dê paciência e nos preencha. Para sempre e até sempre.”
Na passada Quinta-feira 3 de Julho, ela também teve algumas palavras para com os seus antigos sequestradores: “Vi o comandante, que durante tantos anos foi responsável por nós, e que ao mesmo tempo foi tão cruel connosco. Vi-o no chão, os olhos vendados. Não penseis que estava contente, tive pena por ele, porque é necessário respeitar a vida dos outros, mesmo se eles são nossos inimigos.”
Ingrid falou no passado, e fala hoje de paz e não de vingança.
Esta mulher é habitada, inspirada por Alguém que a ultrapassa.
Na próxima semana ela irá até Roma ver o Santo Padre.
A fé de Ingrid irradia, comove, impressiona.
Louvado seja Deus.

Quinta-feira, 3 de Julho de 2008

O preço do nosso resgate

Tomou o cálice, deu graças e entregou-lho. Todos beberam dele. E Ele disse-lhes: «Isto é o meu sangue da aliança, que vai ser derramado por todos. »

Mc 14, 23-24


Saiu então e foi, como de costume, para o Monte das Oliveiras.
Cheio de angústia, pôs-se a orar mais instantemente, e o suor tornou-se-lhe como grossas gotas de sangue, que caíam na terra.

Lc 22, 39.44


Mas, a chegar a Jesus, e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas.
Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.

Jo 19, 33-34




O sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo a Deus, sem mácula, purificará a nossa consciência das obras mortas, para que prestemos culto ao Deus vivo!
Por isso, Ele é o mediador de uma nova aliança, um novo testamento; para que, intervindo a morte para a remissão das transgressões cometidas sob a primeira aliança, os chamados recebam a herança eterna prometida.
Heb 9, 14-15


Se invocais como Pai aquele que, sem parcialidade, julga cada um consoante as suas obras, comportai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação; sabendo que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver herdada dos vossos pais, não a preço de bens corruptíveis, prata ou ouro, mas pelo sangue precioso de Cristo, qual cordeiro sem defeito nem mancha.
1 Pd 1,17-19


Depois disto, apareceu na visão uma multidão enorme que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé com túnicas brancas diante do trono e diante do Cordeiro, e com palmas na mão.
Então, um dos seres viventes tomou a palavra e disse-me: «Estes, que estão vestidos de túnicas brancas, quem são e donde vieram?»
Eu respondi-lhe: «Meu senhor, tu é que sabes.» Ele disse-me: «Estes são os que vêm da grande tribulação; lavaram as suas túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro.»

Ap 7, 9.13-14


Graça e paz da parte daquele que é, que era e que há-de vir, da parte dos sete espíritos que estão diante do seu trono e da parte de Jesus Cristo, a Testemunha fiel, o Primeiro vencedor da morte e o Soberano dos reis da terra.
Àquele que nos ama e nos purificou dos nossos pecados com o seu sangue, e fez de nós um reino, sacerdotes para Deus e seu Pai, a Ele seja dada a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amen!

1 Ap, 5-8

Terça-feira, 1 de Julho de 2008

Sangue de Cristo, inebriai-me!

«Ao aproximar-se a festa* e o mês** dedicados ao culto do Sangue de Cristo, preço do nosso resgate, penhor de salvação e de vida eterna, façam-na os fiéis objecto de meditações mais devotas e de comunhões sacramentais mais frequentes. Iluminados pelos salutares ensinamentos que vêm dos Livros Sagrados e da doutrina dos padres e doutores da Igreja, reflictam no valor superabundante, infinito desse Sangue verdadeiramente preciosíssimo, do qual uma só gota pode salvar o mundo todo de toda culpa” (…)
Portanto, se infinito é o valor do Sangue do Homem-Deus, e se infinita foi a caridade que o impeliu a derramá-lo desde o oitavo dia do seu nascimento, e depois, em superabundância, na agonia do horto (cf. Lc 22,43), na flagelação e na coroação de espinhos, na subida ao Calvário e na crucifixão, e, enfim, da ampla ferida do seu lado, como símbolo desse mesmo Sangue divino que corre em todos os sacramentos da Igreja, não só é conveniente, mas é também sumamente justo que a ele sejam tributadas homenagens de adoração e de amorosa gratidão por parte de todos os que foram regenerados nas suas ondas salutares.»

João XXIII,
Carta Apostólica “Inde a primis”,
Culto ao Preciosíssimo Sangue de Cristo



Sangue de Cristo, inebriai-me!

Ó sangue e água que brotastes do Coração de Jesus
como fonte de misericórdia para nós,
eu confio em Vós.




Ler a Carta Apostólica de João XXIII na íntegra

* Antes da Reforma litúrgica, a festa do Sangue de Cristo era a 1 de Julho.
** O Mês de Julho é considerado Mês do Preciosíssimo Sangue

Sábado, 28 de Junho de 2008

Ano Paulino

«Desde o início, a tradição cristã considerou Pedro e Paulo inseparáveis um do outro, embora cada um tenha tido uma missão diferente a cumprir: Pedro, em primeiro lugar, confessou a fé em Cristo, e Paulo obteve o dom de poder aprofundar a sua riqueza. Pedro fundou a primeira comunidade dos cristãos provenientes do povo eleito, e Paulo tornou-se o Apóstolo dos pagãos. Com carismas diversos trabalharam por uma única causa: a construção da Igreja de Cristo. (…)
Queridos irmãos e irmãs, como nas origens, também hoje Cristo precisa de apóstolos prontos a sacrificar-se a si mesmos. Precisa de testemunhas e de mártires como São Paulo: outrora violento perseguidor dos cristãos, quando no caminho de Damasco caiu no chão fulgurado pela luz divina, passou sem hesitação para o lado do Crucificado e seguiu-O sem titubear. Viveu e trabalhou por Cristo; por Ele sofreu e morreu. Como é actual, hoje, o seu exemplo!
E exactamente por isso, estou feliz por anunciar oficialmente que ao Apóstolo Paulo dedicaremos um especial Ano jubilar, desde 28 de Junho de 2008 até 29 de Junho de 2009, por ocasião do bimilenário do seu nascimento, inserido pelos historiadores entre os anos 7 e 10 depois de Cristo.»


Bento XVI,
Homilia das primeiras vésperas de São Pedro e São Paulo,
28/06/2007

Quinta-feira, 26 de Junho de 2008

Tesouro da Igreja

«”A Eucaristia, dom de Deus para a vida do mundo”…
A Eucaristia é o nosso mais belo tesouro. Ela é o sacramento por excelência; ela nos introduz por antecipação na vida eterna; ela contém todo o mistério de nossa salvação; ela é a fonte e o cume da acção e da vida da Igreja, como recorda o Concílio Vaticano II. Por isso é particularmente importante que os pastores e os fiéis aprofundem permanentemente este grande sacramento. Cada um poderá assim confirmar a sua fé e cumprir sempre melhor a sua missão na Igreja e no mundo, lembrando que há sempre uma fecundidade da Eucaristia na vida pessoal, na vida da Igreja e do mundo. (…)


“Mistério da fé”: eis que o proclamamos em cada missa. Desejo que cada um se compromete em estudar este grande mistério, de modo particular, lendo e estudando, individualmente ou em grupo, o texto do Concílio sobre a liturgia Sacrosanctum Concilium, para testemunhar com coragem este mistério. Cada um conseguirá assim perceber melhor cada um dos aspectos da Eucaristia, entendendo a sua profundeza e vivendo-a com maior intensidade. Cada frase, cada gesto tem o seu significado e esconde um mistério. Espero de todo o coração que este congresso servirá de apelo aos fiéis a tomar este compromisso para a renovação da catequese eucarística, afim de que eles próprios tomem plenamente consciência do que é a Eucaristia e ensinem por sua vez as crianças e os jovens a reconhecer o mistério central da fé e a construir suas vidas à volta deste mistério. Encorajo especialmente os sacerdotes a dar a devida honra ao rito eucarístico, e peço a todos os fiéis de respeitar o papel de cada um, tanto o do sacerdote como o do leigo, na acção eucarística. A liturgia não nos pertence: é o tesouro da Igreja.»


Bento XVI, Homilia "via satélite" no Congresso Eucarístico Internacional

Terça-feira, 24 de Junho de 2008

Era um grande homem

«A Igreja não celebra o nascimento de nenhum profeta, de nenhum patriarca, de nenhum apóstolo: ela celebra só dois nascimentos*, o de João e o de Cristo. O próprio tempo em que cada um nasceu é um grande mistério. João era um grande homem, mas era todavia um homem. Era um tão grande homem que só Deus lhe estava acima. ‘Aquele que vem depois de mim é maior do que eu’. É o próprio João que disse: ‘’Aquele que vem depois de mim é maior do que eu’.
Se Ele é maior do que tu, como O ouvimos dizer, Ele que é maior do que tu: ‘Entre os nascidos de mulher, não há maior do que João Baptista?’ Se entre os homens não há maior do que tu, quem é Aquele que dizes ser maior?
Queres saber quem Ele é? ‘No princípio existia o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus.’
Mas este Deus, este Verbo de Deus pelo qual tudo foi feito, que nasceu antes da origem dos tempos e por quem foram feitos os mesmos tempos, como é que no tempo Ele tem um dia de nascimento? Sim, como este Verbo que criou os tempos tem no tempo um natal?
Queres saber como? Ouve o Evangelho: ‘O Verbo encarnou, e habitou entre nós’. O nascimento de Cristo não é então o nascimento do Verbo, mas o da sua humanidade. (…)


João nasceu, Cristo também nasceu; João foi anunciado por um anjo, Cristo também foi anunciado por um anjo. Grande milagre dos dois lados! Foi uma mulher estéril que com o contributo de um velho marido deu à luz ao servo, ao precursor; foi uma Virgem que sem o contributo de homem se tornou mãe do Senhor, do mestre. João é um grande homem, mas Cristo é mais do que homem, porque Ele é o Homem Deus. João é um grande homem, mas para exaltar a Deus, este homem se humilhou. ‘Eu não sou digno de Lhe desatar a correia das sandálias’. (…)
Era necessário que o homem, e por isso o próprio João se humilhasse diante de Cristo; era também necessário que Cristo, Homem Deus, fosse exaltado: eis o que recorda o nascimento e as mortes de Jesus e de João. É hoje que nasceu João: a partir de hoje os dias diminuem. É no dia de Natal que nasceu Cristo: é a partir deste dia que os dias crescem.
Na morte, João foi degolado, Jesus foi elevado na cruz.»

S. Agostinho




Senhor, celebramos hoje a glória do Precursor,
São João Baptista,
proclamado o maior entre os filhos dos homens,
anunciamos as vossas maravilhas:
antes de nascer, ele exultou de alegria,
sentindo a presença do Salvador;
quando veio ao mundo,
muitos se alegraram pelo seu nascimento;
foi ele, entre todos os Profetas,
que mostrou o Cordeiro que tira o pecado do mundo;
nas águas do Jordão, ele baptizou o autor do Baptismo
e desde então a água viva tem poder de santificar os crentes;
por fim deu o mais belo testemunho de Cristo,
derramando por Ele o seu sangue.

Prefácio da Missa do Nascimento de S. João Baptista




* Só mais tarde, no século VII, aparecerá no calendário litúrgico da Igreja de Roma, a festa da Natividade da Virgem Maria.

Sábado, 21 de Junho de 2008

Presença eucarística

«A Eucaristia ultrapassa toda a capacidade humana de compreensão.
É necessário aceitá-la com uma fé profunda e um profundo amor.
Jesus quis deixar-nos a Eucaristia para que não esqueçamos o que Ele veio fazer e revelar-nos.
Poderíamos nós imaginar o que seria das nossas vidas sem a Eucaristia?»


Beata Teresa de Calcutá


«Jesus ficou na Eucaristia por amor…por ti.
Ficou, sabendo como os homens O receberiam
e como tu próprio O receberias.
Ficou para que O comesses,
para que O visitasses e Lhe contasses os teus problemas;
para que, frequentando-O na oração junto do sacrário e na comunhão,
te enamorasses por Ele cada vez mais,
e que fizesses com que outras almas – muitas almas! –
seguissem o mesmo caminho.»

S. José Maria Escrivá





«Estais aqui, meu Senhor Jesus, na Santa Eucaristia;
estais aqui, a um metro de mim, no sacrário!
O vosso corpo, a vossa humanidade,
a vossa divindade, o vosso ser todo inteiro está aqui;
como estais perto, meu Deus,
meu Salvador,
meu Jesus,
meu Irmão,
meu Esposo,
meu Bem-amado…»

Beato Carlos de Foulcaud